25 janeiro 2011

Intenções dissimuladas

Por vezes penso demasiado, aliás…na maioria das vezes. Não que isso me tenha trazido alguma espécie de benefício, mas gosto de pensar e sobretudo de compreender quem me rodeia. E quando as palavras não se coordenam com as intenções? Dá que pensar…porque motivo não consegue a maioria das pessoas usar a sinceridade? Dói assim tanto? Não é necessária uma intervenção cirúrgica à box da sinceridade, nem sequer levar uma anestesia, e magoa muito menos do que quando se percebem as intenções reais, não as que estavam dissimuladas. Será pelo prazer do jogo em si? Tipo…vamos jogar aos dissimulados e ver se tens a capacidade para me apanhar? Thanks, but no thanks! Prefiro uma péssima chávena de sinceridade e de frontalidade do que um bule simpático e apelativo cheio de intuitos encobertos. Há  quem tenha pachorra e tempo livre para desperdiçar com jogadas tão mesquinhas, quanto a mim…game over!

20 janeiro 2011

Lyonce Viiktorya

Não tenho por hábito meter-me em vidas alheias, mas neste caso confesso que se tornou irresistível. Ao passar de soslaio pelos tablóides, esbarrei com a notícia do nascimento do rebento de Luciana Abreu e Yannick Djaló. Aos papás radiantes, os meus Parabéns. Ao nome que escolheram para tão inocente criatura, desculpem a franqueza, mas os meus Sentimentos. Por amor da Santa…Lyonce Viiktorya???!!! What???!!!

Ainda melhor do que a graça que atribuíram ao bebé, é para explicação para tal. Ora veja-se…O primeiro nome, seria supostamente uma fusão dos nomes dos pais…tendo em conta que a criança se chama Lyonce, a minha modesta inteligência não me permite entender em que parte se integram as letrinhas dos nomes dos pais. Será na parte Lu, ci, ana, yan, ou nick?! Ok, vou tentar novamente…Lyonce = Luciana + Yannick. Desisto!

Tenho cá para mim que além de ser um nome um tanto ou quanto sui generis e arranhar o mau gosto, é mais uma tentativa de aproximação ao nome Beyoncé do que outra coisa. (Talvez porque a mamã admire uma cantora que nunca virá a ser, ou pelo fascínio do papá pelo traseiro da menina Beyoncé,).

Não menos fascinante é a explicação que o casal maravilha atribuiu à escolha de Viiktorya, e passo a transcrever na íntegra, e por íntegra entenda-se que os lapsos ortográficos não são de minha autoria: “Viiktórya pelo nosso amor ter triunfado e ter vencido todos os obstáculos e má lingua de tanta gente, principalmente daqueles que até hoje só apareceram na nossa sombra, graças à nossa luz e por sermos fuguras públicas tão mediáticas.”
Porque não qualquer coisa como Triumphy? Sempre soava menos a ex spice girl…
E esta heim?!

A sério

Se há coisas que me eriçam o pêlo são os pontapés que se dão na lingua portuguesa. Não tanto os que são cometidos por se ter momentaneamente a cabeça na Lua, pois essas lacunas a todos calham, mas os que são uma nítida burrice…
E desenganem-se se pensarem que me refiro a individuos cuja faixa etária chega às 60 ou 70 primaveras, e com analfabetismo pelo caminho, muito pelo contrário, refiro-me a ilustres senhores nas casas abaixo dos 40 e que se auto intitulam de inteligentes e doutorados.
Por amor da Santa, leiam qualquer coisinha, usem o corrector ortográfico, iniciem-se nessa louca e misteriosa viagem de abrir o dicionário, mas não assassinem a nossa cultura linguística, com essa função já cá temos o acordo ortográfico.
E se voltam a escrever rabiscos como acério ou assério, não me responsabilizo por gritar alto e bom som: A sério que não deixaste a nave no planeta dos estúpidos?!

17 janeiro 2011

Saudades...

Faz hoje precisamente um ano que o avô nos deixou. As saudades são mais que muitas.
As recordações são as únicas ternuras que nos conseguem aquecer a alma quando tudo o resto não existe mais...
A avó?! Uma mulher digna de M gigante. Oxalá quando chegar à mesma idade tenha um terço da sua sanidade, força de viver e ainda tanto amor para dar.

17 agosto 2010

Ternura

"Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus e como um adolescente
tropeço de ternura por ti."

by Alexandre O' Neill

26 julho 2010

Suddenly

Num trilho onde se confundem e se cruzam caminhos, numa noite onde as estrelas brincam como se fossem crianças reguilas...eis senão quando o piso se torna escorregadio...Ups!

19 julho 2010

Apertos

Aiiii não me apertes que não sou uma laranja!!


Unexpected? Indeed


Confused? Totally

Pior do que sonhar com crocodilos





Depois de um sonho sem lógica que me fez acordar sobressaltada e me impediu de voltar a adormecer…vem a tentativa de interpretação do dito cujo. Ora depois de um breve folhear de páginas online, descubro que sonhar com crocodilos tem significados tão pouco favoráveis como: Falsas amizades, traição…e mais uma panóplia de situações adversas que quero manter a milhas de distância da minha pacata vidinha.



Estando no limbo do cepticismo em relação a este género de coisas…eis senão quando sou repentinamente “presenteada” com notícias de uma “persona non grata” que um dia cruzou o meu caminho, e que por motivos válidos foi encaminhado para outra galáxia…



Quero acreditar que tudo isto não passou de uma estranha coincidência.



Dá que pensar…

07 julho 2010

Sentir...




Num momento mágico voltei a sentir-me, a sentir-te e a sentir-nos...como se os nossos caminhos não se tivessem separado...
(Se há coisas que transcendem a minha singela compreensão, esta é uma delas...)

10 junho 2010

Consciência


Não... consciência não é aquele osso próximo ao calcanhar...isso é o tornozelo...consciência é outra coisa...

06 junho 2010

Pescadores de ilusões


Quanto mais rio percorro, mais pescadores de ilusões encontro pelo caminho...
Acho que me vou encostar à margem por uns instantes...

To steal or not to steal?




Os roubos sempre existiram e sempre existirão...no questions about it.
O piolho que parasita a púbis nesta questão é...roubar aos outros porque se quer decorar o corpinho com aquele must have spring summer 2010. E viver dentro das suas possibilidades, não?! E trabalhar à séria, também não?!!Pois ... don't think so...somehow and somewhere was busted!!Funny!




03 junho 2010

À beira mar





Uma rasgo de saudade de beijos à beira mar...
onde as ondas nos prendem o olhar,
e a terna suavidade de um beijo fazia o tempo parar...

Professora




Professora???!!!
Tudo indica que sim...
Inesperado?
No mínimo...mas não tanto quanto a recente cratera gigante na cidade da Guatemala.
Cansativo?
Sem qualquer sombra de dúvida.
A quem agradeço?
À famíla e aos amigos pelas longas ausências, pelos telefonemas e mensagens tardiamente retribuidos, por aturarem algumas crises de stress, por todo o apoio que me deram, e sobretudo por acreditarem e me fazerem desejar mais e mais...
Aos colegas de formação, e às queridas alunas que me ajudam sempre a evoluir a nível profissional e pessoal.
A uma aluna, que me tocou especialmente, e me conseguiu ver para além das evidências...e que na simplicidade de palavras e de gestos me fez querer voar mais alto...Obrigada pelas asas que me deu!
Gratificante?
Ao máximo!!
E agora?
Agora descanso que também mereço.
O que vou fazer?
Coisas simples, coisas complexas, coisas estúpidas, coisas importantes, coisas sem nexo, coisas que cansam, coisas que preguiçam...Apenas coisas e mais coisas...E em todas as coisas sentir o toque do vento.
You sent me flying...




Hoje faz sentido...

"Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar. " Alberto Caeiro


Porque não?!
By the way...hoje está um dia fantástico para andar de Vespa e deixar que o vento me faça suaves cócegas na face...


24 agosto 2009

O Saco das Compras


Já alguma vez viram alguém a espreitar estaticamente para dentro do próprio saco de compras?
Porque o faria? O que procuraria?
Talvez porque por breves instantes a sua humana memória tenha sido substituída pela memória da amorosa mas esquecida Dóri, e se tenha olvidado do que acabara de comprar?
Talvez porque a macro e a micro economia estejam tão pouco simpáticas que, feitas as compras…feitas as contas, e se começa a somar, a dividir, a multiplicar e a subtrair ainda que seja apenas de cabeça, olhando atentamente para as facturas? Sim, porque a maioria dos “tugas” primeiro compra e só depois soma o que gastou…e depois, depois começa a típica lamechice de que o país está mal, de que o governo é chupista, de que o preço das coisas está pela hora da morte, e de que os gajos das petrolíferas são uns gatunos, e mais um sem número de tentativas para culpabilizar outros pela má gestão das respectivas carteiras.
Talvez porque alguma situação incomode, e o interior do saco parece a melhor alternativa para ter um comportamento semelhante às tímidas avestruzes? Uma alternativa bem mais rápida e em conta do que viajar para um destino longínquo, onde ninguém nos conhece. Além de que sempre se evitam os desastres aéreos, que por acaso desde que há aviões que há desastres, mas hoje em dia é que se fala desses assuntos, como se fala de futebol, e está na moda ter medo de andar de avião.
Talvez porque, apenas porque enquanto se olha para dentro do saco das compras, o tempo não passa tão devagar…
Ou talvez porque, haja a imortal esperança de que bem no fundo do saco, esteja aquela resposta interior que tanto procuramos, mas que por incrível que pareça não conseguimos encontrar…

Ah se os sacos falassem…era tudo tão mais claro…

26 maio 2009

Remembering Mr. Brightside


"I'm coming out of my cage
And I’ve been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag
Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head
But she’s touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, letting me go

And I just can’t look - it's killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies [acoustic version of the song says: "Swimming through sick lullabies"]
Choking on your alibis
But it’s just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
‘Cause I’m Mr Brightside

I’m coming out of my cage
And I’ve been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag
Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head
But she’s touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, letting me go

'Cause I just can’t look - it's killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies [acoustic version of the song says: "Swimming through sick lullabies"]
Choking on your alibis
But it’s just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
‘Cause I’m Mr Brightside

I never...
I never...
I never...
I never...

"And it was only a kiss..."

24 maio 2009

Egoísmo




O ser humano é uma criatura egoísta por natureza, está-lhe no sangue, nos genes, no ar que respira, é uma condição inerente à sua existência.
Aos pais e educadores, incumbe-lhes a tarefa de nos ensinarem que não devemos ser egoístas, que devemos partilhar, e estimar quem se cruza no nosso caminho.
Alguns de nós compreendemos e vamos crescendo num processo de aprendizagem continuamente trabalhoso, mas com a sensibilidade e discernimento suficientes para que seja proveitoso. Outros nascem já com a audição tão centrada neles mesmos, que nem sequer ouvem o que lhes estão a ensinar, até porque alegadamente não precisam de ser ensinados, já sabem tudo.
Num patamar mais elevado, temos os perfeitos egoístas, ou por outras palavras os perfeitos idiotas, cujo objectivo diário é pensarem e viverem apenas para eles desde que se levantam até que se deitam, alguns mesmo até quando dormem, como se vivessem numa bolha de sabão, a pairar numa existência paralela, com os pés bem longínquos do chão.
Como se ser egoísta fosse um full time job, que preenchesse as 24 horas do dia, não restando um milésimo de segundo para ver, sentir, olhar, cheirar ou saborear a realidade em que vivem os outros, talvez porque para esta obtusa espécie, os outros apenas existem para que eles se sintam superiores.
Felizmente para nós, comuns não egoístas, os mentecaptos que pensam unicamente neles próprios são uma minoria, mas atenção, não nos iludamos, são poucos mas ainda assim podem fazer estragos quando se cruzam nos nossos caminhos…
Para a felicidade de todos nós, deviam estar sujeitos a usar selos que os identificassem a milhas de distância, para que sempre que houvesse a possibilidade de nos cruzarmos com um deles, pudéssemos fazer uma rápida finta e desviarmo-nos a tempo.
Verdade absoluta é que todos somos pelo menos um pouco egoístas, nem que seja no sentido de não querermos abdicar de pequenas coisas.
Realidade incontestável é que só os tontos permanecem na ignorância de que ser egoísta é um must!

27 janeiro 2009

Um sonho




Se ao menos nas minhas mãos tivesse
um sonho de quem pudesse
um sonho de conseguir ajudar
aqueles de quem a vida se esquece...







22 janeiro 2009

Depois de algum tempo...


"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos.
Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais...que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!”


23 dezembro 2008

Natal para todos os gostos


Comemora-se mais um aniversário do nascimento de Jesus, o Pai Natal inicia mais uma louca corrida em contra relógio, e apela-se novamente à multiplicação do já tão entranhado vírus do consumismo natalício.
Ostentam-se presépios, adornam-se igrejas, ruas, becos, e vielas, e gasta-se uma monumental quantia de dinheiro público em iluminação. Ah e não nos podemos esquecer dos típicos Pais Natais plásticos pendurados nas varandas dos mais exibicionistas.
Alguns pequenotes colocam cuidadosamente as bolachas e o leite ao lado da árvore de Natal, não vá o velhote das barbas brancas chegar com fome. Outros mais atrevidos abrem gavetas, armários, espreitam todos os locais suspeitos, onde os pais pudessem ter escondido os tão desejados presentes.
Os mais graúdos ganham asas, desdobram-se em mil e voam em massa para os shoppings e comércio tradicional, comprando tudo o que lhes salta à vista. Lembranças para a família mais chegada, para a mais afastada e até para aquela parte da família que desconhecem, depois para os amigos, para os não tão amigos, para o cão, para o gato e até para o canário, pois o derradeiro objectivo é comprar, comprar e mais comprar. E ai de quem se atreva a cruzar o caminho dos mais nervosos…Tudo isto, numa época de alegada crise financeira. Se medíssemos os níveis de adrenalina dos christmas shoppers atrevo-me a dizer que seriam superior aos dos adeptos de grandes Derbys, a única diferença é que no primeiro caso ainda não se usam very lights.
Há ainda uma outra interpretação de Natal, escondida sob todas as outras aparências, e a minha favorita. Um Natal de memórias de infância, de sorrisos familiares e longas conversas, do som da lenha a crepitar na lareira, das manhãs frias e noites geladas, dos aromas inconfundíveis das doces azevias e do bacalhau salgado, e sobretudo do aconchego e carinho daqueles que estão ou já estiveram ao nosso lado.
A todos eles, presentes e ausentes, desejo um Natal recheado de Felicidade, Alegria, Sorrisos, Quentes Recordações, Saborosas Comidas e Pessoas Amigas.

18 setembro 2008

Hoje


Hoje senti uma vontade imensa de escrever, escrever sobre tudo e sobre nada, riscar e rabiscar, emendar e apagar.
Escrever sobre os planetas das tristezas e alegrias, ilusões e desenganos, sonhos quentes e realidades frias.
Passar para o papel apontamentos sobre mim, sobre ti, sobre nós.
Hoje, este pequeno projecto foi adiado, talvez porque as páginas em branco sejam afinal mais do que as desejadas…

01 setembro 2008

Fazer 30 anos


Um texto simples, mas elucidativo do que é o "suposto terror" de entrar nos 30...aos que já abriram a porta dessa mágica escadaria, como eu, e aos que vão um dia ter o prazer de a abrir...


“…QUATRO pessoas, num mesmo dia, dizem-me que vão fazer 30 anos. E anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está a dizer: vou tomar um café na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão a proclamar: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crónica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um acto realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que há gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tacto, o olfacto, a visão e todos os sentidos estão a começar a tirar prazeres indizíveis das coisas. Até os 30, dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar. Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar. Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objectivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente. Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais ténue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se auto cartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.Fazer 30 anos é passar da recta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó. Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar para trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar…”.

"A mulher Madura” de Affonso Romano de Sant’Anna


06 agosto 2008

Mais longe...

Quando o sábio aponta para a Lua, o idiota olha para o dedo.
(Provérbio Chinês)
Com a lua, uma imensidão de estrelas, só mesmo o idiota se dedica a olhar para o dedo. Depois admira-se que o mundo avançe e ele fique estático no mesmo preciso lugar onde estava há seculos atrás a contemplar o dedo.Há quem diga que é a ausência de lentes adequadas para ter uma boa visão ao longe, quanto a mim, o cerne da questão não está na qualidade das lentes, mas sim se os olhos querem ou não ver mais longe...

30 junho 2008

Sonolências

Há dias em que uma melancolia avassaladora nos enche a alma e nos transforma em cépticos adormecidos e somos enleados numa irritante rede de sentimentos nostálgicos. Saudades do passado, alguma tristeza do presente e o desejo de um futuro risonho e possivelmente utópico. São momentos como este que nos levam bem dentro daquilo que somos, ou que pensamos ser. São sonolências como estas que nos obrigam a partir numa alucinante viagem dentro de nós, descobrindo trilhos nunca dantes percorridos, atalhos recônditos, que apenas a mais ousada introspecção ousaria explorar.
São em dormências como estas que desvendamos pequenos segredos por vezes forçosamente anestesiados.
Instantes imprevistos? Sem dúvida! São como a chuva…por mais que tentemos prevê-la, nunca temos o guarda-chuva quando começa a chuviscar.
Conjunturas desconfortavelmente necessárias? Seguramente! São igualmente como a chuva, por vezes aborrecida, peganhenta e irritante, mas imprescindível.
E de acordo com a sabedoria dos avós e gerações anteriores a estes…depois da tempestade, vem a bonança! E ainda que eu não siga à regra, a sabedoria popular há coisas sobre as quais não ouso duvidar!

17 junho 2008

Gosto / Não gosto

Gosto de dormir. Gosto de acordar e ficar a preguiçar.
Gosto de rir e de sorrir. Gosto de pessoas simples, inteligentes e bem-humoradas. Não gosto de pessoas mal-humoradas, ou excessivamente simpáticas.
Gosto de conversas demoradas e interessantes. Não gosto de mentes pequeninas.
Gosto de evoluir. Gosto de trabalhar.
Gosto de aprender a gostar do que dizia que não gostava antes de experimentar (com algumas excepções). Não gosto de traições nem de mentiras.
Não gosto de hipocrisias e falsidades. Gosto de pessoas transparentes. Não gosto de pessoas cinzentas.
Gosto do sol, do por do sol e da calma agitação da noite. Gosto da praia, do campo, da cidade e de esplanadas.
Gosto que tenham maneiras à mesa. Não gosto que comam de boca aberta nem de pratos cheios, como se fossem imitações rascas da Torre de Pisa. Gosto de ser bem atendida, e não gosto de empregados que não sabem servir e tão pouco respeitem os clientes.
Não gosto que cuspam no chão, limpem os ouvidos ou cocem as partes íntimas, se for em público pior ainda.
Não gosto que digam “prontos” nem “há-des”, para quem não sabe, tal tentativa de palavra não existe, e Hades era um Deus grego do Inferno.
Gosto de sushi e de cozido à portuguesa. Não gosto de caldo verde, borrego ou cebolas.
Gosto de chocolates. Gosto de vinho tinto.
Gosto da minha família. Gosto dos meus amigos. Gosto da minha afilhada.
Gosto de cães e de gatos. Gosto da Cuca. Não gosto que maltratem os animais
Não gosto de rastejantes nem das picadas de mosquitos.
Gosto de Bossa Nova, Reggae, Surf music, Jazz, música portuguesa, e muitas mais. Não gosto de música pimba.
Gosto de livros, de ler e de escrever. Gosto de filmes e das séries da Fox. Gosto de telejornais. Não gosto da pseudo informação da TVI, nem da desinformação do Correio da Manhã.
Gosto do Toppo Gigio e dos Marretas. Gosto de Bombocas. Gosto de Lisboa e de Alcochete. Não gosto da pronúncia do Norte. Gosto de relógios. Gosto de galochas e de havaianas. Gosto de fotografia e de publicidade antiga. Gosto de decoração de interiores. Gosto de viagens e de conhecer culturas diferentes. Gosto de dar e de receber presentes. Gosto de mimos.
Gosto de me conhecer cada vez melhor. Gosto de mim. Gosto de quem gosta de mim, e dos outros…vou aprendendo a gostar, ou não.

13 junho 2008

08 junho 2008

Fondue de Chocolate

Ontem...
Comi uma sobremesa que me soube aos doces momentos que passámos juntos, e me transportou para tempos a dois.
Ontem, durante algum tempo, morangos, uvas, laranjas, cerejas e chocolate quente, foram muito mais que frutas, foram um flash de mim e de ti, foram risos e sorrisos, cumplicidade, confiança, segurança, amor, e mais um sem número de sentimentos açucarados e embebidos em prazer.
Ontem, o fondue de chocolate soube-me a nós...ao que fomos e ao que desejávamos ser.
Ontem...inesperadamente saboreei-te, e tu não estavas lá.
Ontem o gosto achocolatado triunfou sobre a mente e, fez-me notar com estranheza que naquele instante senti saudades tuas...

06 junho 2008

É Proibido

"É proibido chorar sem aprender
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer
Abandonar tudo por medo
Não transformar sonhos em realidade

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas
Fingir que elas não te importam
Ser gentil só para que se lembrem de você
Esquecer aqueles que gostam de você

É proibido não fazer as coisas por si mesmo
Não crer em Deus e fazer seu destino
Ter medo da vida e de seus compromissos
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram
Esquecer seu passado e apagá-lo com seu presente

É proibido não tentar compreender as pessoas
Pensar que as vidas delas valem mais que a sua
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte

É proibido não criar sua história
Deixar de dar graças a Deus por sua vida
Não ter um momento para quem necessita de você
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira

É proibido não buscar a felicidade
Não viver sua vida com uma atitude positiva
Não pensar que podemos ser melhores

Não sentir que sem você este mundo não seria igual."


(Pablo Neruda / Alfredo Cuervo Barrero)



25 março 2008

Recomeçar

“Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou... o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... é renovar as esperanças na vida e o mais importante... acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? foi aprendizado...
Chorou muito? foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas? foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes? é porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido? era o início da tua melhora...
Pois é...agora é hora de reiniciar...de pensar na luz... de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um corte de cabelo arrojado...diferente?
Um novo curso...ou aquele velho desejo de aprender a pintar...desenhar...dominar o computador... ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho? besteira...tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza... nem nós mesmos nos suportamos... ficamos horríveis...
o mal humor vai comendo nosso fígado... até a boca fica amarga.

Recomeçar...hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? ir alto...sonhe alto... queira o melhor do melhor... queira coisas boas para a vida... pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos... se pensamos pequeno... coisas pequenas teremos... já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor... o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental... joga fora tudo que te prende ao passado... ao mundinho
de coisas tristes... fotos...peças de roupa, papel de bala...ingressos de cinema, bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados... jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração...
fique pronto para a vida... para um novo amor... Lembre-se somos apaixonáveis... somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes... afinal de contas... Nós somos o "Amor"...
" Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura."
Carlos Drummond de Andrade "Recomeçar"
Dedicado aos que tiveram a coragem de recomeçar, aos que temem fazê-lo, aos que ainda que a pouco e pouco já iniciaram esta caminhada, e aos que nos remetem e acompanham neste delicioso recomeço...

19 março 2008

Desperdícios

Carlos Drummond de Andrade diria que: " Cada vez me convenço mais que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."
Eu não poderia concordar mais, se bem que em alguns momentos da vida todos temos uma têndencia quase que irresístivel de nos esquivarmos dos outros e sobretudo de nós próprios...desperdícios supostamente necessários por vezes!

16 março 2008

Telefonema


"Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe se estava em casa.
Foi então que deu pelo facto. Realmente tinha morrido havia já dezassete dias.
Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade. "
Mário Henrique Leiria
Contos do Gin-Tónic

No meio do caminho tinha uma pedra

"No meio do caminho tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra"

Carlos Drummond de Andrade
Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo...

10 março 2008

Porque...

Porque a vida é curta e simples, e o ser humano complicado e longe de evidências
Porque a mágoa nos deturpa a visão
Porque os medos devem ser enfrentados e as incertezas esclarecidas
Porque me sinto e me compreendo
Porque me respeito
Porque não sou perfeita
Porque sou única em todo o meu ser
Porque descobri que há coisas pelas quais devemos lutar
Porque gostei de ti
Porque gostaste de mim
Porque tenho consiciência do que fui, do que sou, e do que poderei ser
Porque só chegamos ao nosso destino quando sabemos que o caminho que escolhemos é, não o mais cómodo e simples, mas o que embora tenha alguns percalços, é o mais genuíno
Porque não podemos terminar um capítulo sem conhecer os sonhos e aspirações das personagens
Porque agora sei que o único desfecho possível para este capítulo é o que está a ser escrito
Porque o final de um capítulo não é sinónimo de que o livro terminou, apenas nos remete para o capítulo seguinte
Porque estou tranquilamente consciente de que este é o momento de virar a página, dou as boas vindas às páginas ainda em branco, que num futuro próximo se alegrarão com vivas histórias e contagiantes aventuras!
Porque nas folhas que hoje se fecham, nada mais havia para contar...

Desistir

Desisto
"Desisto de ti porque até o amor tem limites, tem um fim anunciado, mesmo quando não acaba.Desisto de ti com a mesma força com que amei e por isso tenho a alma rota, o coração guardado numa caixa, com fotos, cartas e outras coisas ridículas. E aqui estou eu. E é como se fosse invisível esta dor insuportável que me aperta o peito e me fixa o olhar como se estivesse drogada, dopada e incapaz de ser mais do que esta representação de mim mesma.
Desisti de ti e comuniquei-o a todo o meu corpo. Disse à minha pele que esquecesse a tua, o teu perfume afinal nunca existiu e os meus ouvidos nunca reconheceram os teus passos na escada. Mas apenas a minha cabeça compreende perfeitamente esta decisão. O resto de mim foi-se embora e não sei quando voltará, porque leva tempo a habituarmo-nos à tua ausência, a mim e ao meu corpo e à minha alma.
Quanta gente sentirá o mesmo? O amor é sempre igual, mesmo quando é diferente. A urgência do outro, do corpo do outro, da voz e sei lá que mais, tudo é igual em quem ama. Por isso a separação também é idêntica. E neste preciso momento uma boa parte da humanidade tem estes olhos vazios, este amargo na boca e aperto no estômago. É engraçado saber-me acompanhada por desconhecidos. É engraçado e irónico que entre essa multidão não estejas tu..."
Luisa Castel-Branco

04 março 2008

Hoje queria...

Hoje queria não sentir este vazio que teima em persistir
hoje queria chorar de alegria, ao invés de sorrir com tristeza e saudade, em conversas animadas
hoje queria abraçar-te e poder respirar o cheiro do teu perfume.

Hoje queria que o tempo disparasse e quebrasse as fronteiras entre o presente e o futuro, e me levasse para além do pensar
hoje queria sentir que éramos apenas um.

Hoje queria tudo isto, e talvez mais qualquer coisa, mas o que na verdade hoje tenho ou sinto, isso daria para escrever outras tantas palavras.

Porque hoje queria que estivesses aqui, só que hoje...hoje, só me restam o baú das memórias e a gaveta dos sonhos perdidos.

Ausência

Como definir a ausência? A suposta falta que sentimos daquela pessoa tão especial no nosso dia a dia?O espaço deixado a nosso lado? Quando queremos partilhar uma alegria, uma tristeza, um segredo, ou até mesmo um simples "gossip" com alguém que já não está connosco?Será a sensação de ausência um complexo estado de alma, ou um mero pretexto que a nossa (in)consciência desenvolveu para nos deixar ocupados?Melhor que nínguem, Carlos Drummond de Andrade, descreve a ausência com palavras sensatas que nos fazem reflectir.

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."


Carlos Drummond de Andrade

29 fevereiro 2008

(Not) More than words

She wrote:

"I've got a crush on you, sweetie pie
All the day and night-time give me sigh
I never had the least notion that
I could fall with so much emotion"

And he wrote her back:

"I've got you under my skin
I've got you deep in the heart of me
So deep in my heart, that youre really a part of me
I've got you under my skin"


And suddenly all that cosy and emotional words, become just empty words with no meaning...
Someone said: Sad?! It happens!
And the young man responded: Is that and shit! Shit happens!

27 fevereiro 2008

E depois do adeus...

"Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós."

Paulo de Carvalho

E depois do adeus?!

20 fevereiro 2008

Raízes

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."
Pablo Neruda

Se as raízes não tivessem apanhado uma crise (mas uma crise daquelas semelhantes a uma camada de sarna) talvez ainda florescêssemos juntos...Quidsapit?!
Quando passar a comichão, haverá novamente esperança para as tenras raízes!


Pensar vs sentir

"Metade dos nossos erros na vida nascem do facto de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir." Como diria Fernando Pessa: E esta heim?!
J.Collins

18 fevereiro 2008

Ain't no sunshine when he's gone

"Ain't no sunshine when he's gone
It's not warm when he's away
Ain't no sunshine when he's gone
And he's always gone too long anytime he goes away

Wonder this time where he's gone,
Wonder if he's gone to stay
Ain't no sunshine when he's gone
And this house just ain't no home anytime he goes away

And I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know,
I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know, I know

Hey, I ought to leave the young thing alone,
But ain't no sunshine when he's gone, only darkness everyday.
Ain't no sunshine when he's gone,
And this house just ain't no home anytime he goes away.

Anytime he goes away… "

Bill Withers que me desculpe a "piquena" adulteração de géneros, mas era necessária...


22 janeiro 2008

Entra e fecha a porta

Queres entrar?
Desejas fechar a porta, ou deixá-la simplesmente entreaberta para que possas observar ao longe o que ficou para trás?
Se queres entrar, então entra, mas não te esqueças de fechar a porta.
Entra como se fosses um ruído desinquieto ou um brando silêncio, entra a correr como se da velocidade das tuas pernas dependesse a tua vida, ou com uma passada tão serena como o entardecer de veraneio. Acomoda as memórias de outros tempos na gaveta das coisas que passaram, deixa as histórias de outrora para os historiadores, e aos fantasmas que teimam em regressar conta-lhes unicamente como queres ser feliz agora e deixa-os voltar ao seu universo.
Esta pequena casa, foi feita apenas para dois…se queres entrar,entra, mas fecha a porta.

31 maio 2007

Workshop de géneros

Quando se fala de géneros masculino versus feminino, para além das inúmeras diferenças físicas notórias a olho nu, existem outras divergências de foro psicológico, em que alguns casos só poderão ser visíveis mediante a utilização minuciosa de lupa, e que para nós mulheres é sinónimo de preocupação, irritação e até de alguma comichão quando se trata de elucidar e fazer compreender os homens.
Imaginemo-nos um neurónio feminino que, teve a audácia de penetrar na mente masculina na tentativa de descobrir o que eles pensam sobre elas e sobre os outros eles…
Como eles imaginam as amigas deles:
1) Amigas
2) Boas ouvintes e conselheiras
3) Afáveis
4) Sinceras
5) Protectoras e Preocupadas
6) Doces e Delicadas
7) Virtuosas
8) Desinteressadas em algo mais do que a simples amizade
9) Fofinhas
10) Só estão a tentar ajudar (falta perceber a quem…)
Como eles imaginam os amigos delas:
1) Comprovadamente interesseiros
2) Pavões nesciamente vaidosos que exibem a suas plumagens na expectativa de que elas se rendam aos seus múltiplos e evidentes encantos
3) Não merecem confiança
4) São uma ameaça a qualquer relação de amizade colorida, namoro ou casamento
5) Perigosos
6) Caçadores de mulheres alheias
7) Demasiado simpáticos e disponíveis
8) Inimigos
9) Alvo a abater!
10) Se não pertencerem a uma associação Gay mundialmente reconhecida, ou se não usarem o gloss ou o rímel da mamã às escondidas, o seu único objectivo é pular o quanto antes para cima da nossa companheira.
Ao contrário dos homens, como seria de esperar, nós mulheres possuímos uma outra sensibilidade em relação a estes assuntos, até porque conseguimos “ver” as nossas similares sem a ajuda de qualquer “aparelhómetro”. E ainda que com algumas pequenas diferenças, somos relativamente idênticas em actos e pensamentos, fazendo com que consigamos “topar a léguas” as vossas pretensas amiguinhas.
Talvez a justificação para este facto esteja na pseudo superioridade da raça masculina, que alegadamente tudo sabe, tudo viu, quase nada surpreende, e para a qual o óbvio será sempre o óbvio, caso contrário, que mais poderia ser?!
Surpresa das surpresas, para os machos sabichões, as mulheres podem ser catalogadas com uma panóplia considerável de adjectivos, mas jamais como óbvias.
Tal como um manual de instruções daqueles que são necessários vários cursos para decifrá-los, para o sexo masculino conseguir compreender como funcionamos, sem o correcto domínio da linguagem feminina será sinónimo de missão impossível.
Para os homens, sobretudo os que consideram os seus semelhantes como bombas prontas a explodir a qualquer momento pela vossa fêmea, mas que imaginam as restantes fêmeas com quem privam como singular and sweet criatures, o “Ministério das Mulheres Comprometidas” adverte que, à semelhança das Lontras Gigantes também caçamos em grupos, e que tal como raposas paciente sabemos esperar pelo momento mais oportuno para atacar as nossas presas…ou as presas das outras!

Braços & Abraços

- "Porque gostas dos meus braços?"
- "Porque são eles que me dão os teus abraços..."

22 janeiro 2007

De Vinicius para ti...

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou ao seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. "

Vinicius de Moraes que escreveu sobre ti, sobre mim, sobre nós...

01 novembro 2006

Trick or Treat

Comida italiana, sangria fresquíssima e uma boa conversa entre amigas, deram o mote para uma noite no mínimo assustadora, muito ao espírito de Halloween.
Após o jantar, um café, um copo com amigos, e até aqui uma noite igual a tantas outras, excepto alguns grupos de miúdos nas ruas mascarados, e armados com balões de água como se fossem granadas e estivéssemos em plena guerra. Mas quem é que se esqueceu de avisar os mais novos, que na noite de 31 de Outubro se festeja o Halloween (ainda que debilitadamente plagiado aos E.U.A.), e jamais o Carnaval? Se continuarem a esconder informações às novas gerações, daqui a pouco teremos ovos da Páscoa e amêndoas no Natal, e bolo-rei nas férias de Verão!
3 Horas mais tarde, uma saída até á discoteca local, uma entrada engraçada com direito a partidas “halloweenescas” , e uma judiaria a um figurino que se encontrava dentro de um caixão, como se de um morto se tratasse, mas que por motivos de força maior (um apertão no nariz e umas cócegas) foi obrigado a ressuscitar à nossa irrequieta passagem.
Começou então, uma noite um pouco surreal e algo aterrorizadora, e não me refiro aos characters que desfilavam descoordenadamente nem á fraca decoração temática, mas sim aos simples mortais como nós.
Na pista exterior, qual doninha fedorenta saída de um filme de animação para crianças (daquelas que se consegue mesmo ver o odor que exalam de tão intenso que é), lá estava ele…premiado com o Óscar de mais mal cheiroso da noite, e que a pouco e pouco ia afastando quem estava ao seu redor ou passava acidentalmente (bem sei que os aromas variam consoante as pessoas, e há os pouco afortunados nesse campo, contudo alguma higiene diária e um bom desodorizante, não deveria ser condição sine qua non para aparições em público? O cheiro dos cigarros é sem dúvida desagradável, apesar de ser fumadora convicta admito-o, e o perfume de umas axilas ordinariamente nauseabundas, não será igual ou pior? Talvez não fosse má ideia aproveitar a dica da proibição de fumar e anexar uma proibição de mal cheirar em locais públicos, pela saúde de todos nós…)
Um pouco mais adiante, elas, as misses, as cabeleireiras, as pop stars, as femmes fatales, envergando mini saias curtas q.b. ou calças justíssimas (se possível um ou dois números abaixo do recomendável), tops de renda, de lycra baratucha ou cetim (sempre muito decotados), botas de salto alto e fino qual imitação rasca e falhada de pretty woman, na face uma maquilhagem teatral, e a cereja do bolo, o cabelo, como não poderia deixar de ser, adornado com umas quantas extensões “da moda” (será que todas estas donzelas pertencem a um grupo secreto que só tem em casa os 4 canais nacionais? E jornais? Revistas? Já ouviram falar? Espero pelo menos que estejam familiarizadas com o conceito…)
Ao lado, os homens (ou imitações), esses verdadeiros machos latinos que alternam entre a versão Zézé Camarinha e a versão gym man, estes últimos exibindo as suas t-shirts apertadíssimas que parecem ter vida própria e nos sussurrar aos ouvidos quando passamos qualquer coisa como: “Oh sim! Eu ando no ginásio, levanto mais de 50 kilos em cada braço, e tomo 100 tipos de vitaminas diferentes, todas naturais (as if…). Não estás a ver os meus músculos? Se não se notarem para a próxima trago uma blusa do meu irmão mais novo que por sinal tem 6 anos, e se tentar respirar c ela vestida, fico despido”.
No interior da disco, tocam os mesmo cd’s de sempre, espanholada, brasileirada, foleirada! Confesso que existe por ai muito boa música latina e brasileira, que não levam os tímpanos à beira de um suicídio e são dançáveis, o problema não é a cultura musical, é mesmo a falta de fundos ou de gosto, e a preguiça de comprar cd’s actuais. O ambiente, semelhante ao exterior, divergindo apenas na intensidade da luz e num acréscimo de suor e umas gotas de divorciadas famintas.
Eis senão quando, surgem duas figuras bastante conhecidas da nossa praça, Mr.Gay de seu apelido e a polémica Roberta Close (estupidamente alta, e com umas maçãs no rosto de fazer inveja a qualquer mulher! O melhor amigo do homem é o cão, mas de algumas mulheres, é sem dúvida o botox).
Se não fosse noite de Halloween, e não estivesse num local com uma flora e fauna tão diversificada, poderia começar a ficar preocupada com estes estranhos comportamentos que se manifestam em volta dos imunes aos vírus do “cromo” e da “croma pseudo fashion”…
Trick or Treat? Spooky!

23 outubro 2006

Comemorar

Até aos 18 anos, o dia em que festejamos o nosso aniversário é uma loucura, um frenesim, o simbolismo da maturidade, da independência, a carta de condução, o poder afirmar com convicção “olha que já sou um adulto” (ainda que sejam apenas teorias, porque a prática, essa é bem diferente), aos 28 a visão que temos do mundo já é bem mais complexa.
Este ano, muito próxima de saltar para a casa dos 29 (sim mãe, afinal já sou muito crescida!), os motivos para grandes festas são poucos.
Não por o vigésimo nono aniversário significar uma curta e assustadora distância do trigésimo, porque bem feitas as contas, os 30 só chegarão para o ano (um ano é tempo suficiente para mudar uma vida). E nós, os de 1977, seremos sempre menos antigos que o 25 de Abril de 1975, o golpe militar do Chile em 1973, e até mesmo posteriores ás exuberantes e fantásticas criações de Jean Paul Gaultier que este mês comemorou os seus 30 anos de carreira.
Os motivos para o pouco entusiasmo comemorativo surgem num universo mais sentimental. A falta de emprego, que por mais optimistas que sejamos, deixa-nos sempre num cantinho á parte (quem afirmar que o panorama do nosso país está a melhorar a olhos vistos, só pode ser míope e por isso não ter visto correctamente as estatísticas, ou ser alguém com fortes apetências para alucinações que o remetem para os livrinhos das estórias de encantar). Os constantes atrasos provocados pela falta de emprego, como a realização pessoal e profissional estagnadas ou adiadas (os que ainda pensam que a realização pessoal e profissional não caminham lado a lado que se desiludam, pois são tão cúmplices e dependentes como as bananas, as uvas ou as cerejas que nascem sempre em cachos).
Mas este apatia e até antipática comemorativa, justifica-se por si, pela estreia de uma ausência, daquela voz masculina e terna, tão cheia de sabedoria e de vida, que com apenas duas palavras tão simples como: “parabéns neta”, me alegrava o dia como só ele o sabia fazer. Será o primeiro ano que não a vou ouvir, talvez por isso o mais sensível e mais doloroso, terei que deixar a saudação ao cargo da imaginação. Decidi por isso, apagar o dia 24 de Outubro de 2006 da agenda, agindo como se simplesmente este ano, não fizesse anos, assim só em 2007, serei forçada a passar por esta experiência.
Seria mais confortável para todos nós, termos autoridade para adiarmos as nossas tristezas e inseguranças (tal como uma alta patente do exército, a comandar os seus fieis e obedientes soldados).
Vale sempre a pena sonhar…

26 agosto 2006

Borboletas

A vida prega-nos partidas curiosas, muitas vezes ficamos tristes ou sem alento para continuar nesta caminhada de encontrar alguém com quem possamos dividir a nossa caminhada, ou porque as pessoas parecem tão pouco interessantes quanto inteligentes, porque não aparecem no timing ideal, ou por mais uma série de razões sem nexo que inventamos para justificar o nosso estado...e continuamos atentas ao que se passa em nossa volta, quase sempre com uma sensação de vazio, de que nos falta qualquer coisa por mais pequena que ela possa ser...
E um dia, quando menos se espera, encontramo-nos a pensar em alguém que sem sabermos como, nem quando, nem porquê, entrou na nossa vida como um relâmpago e nos fez voltar a sorrir daquela forma terna e especial.
Não sabemos bem o que é, o que será, apenas sabemos que nos faz sentir bem e que no momento abdicar dessa pessoa está fora de questão!E depois? Bem...depois logo se vê quando chegar o depois!

"A felicidade é como uma borboleta... Quanto mais a persegues mais ela te escapa... Mas se voltas a tua atenção para outras coisas... Ela vem pousar suavemente no teu ombro... Por isso abre a janela à vida e vive cada minuto, cada pedaçinho, cada instante de cada dia"

Por vezes é necessário aproveitar o bom senso das borboletas e deixarmo-nos apenas flutuar...

24 junho 2006

Reflexos

Hoje pensei em ti, não sei ao certo porquê mas lembrei-me do tempo que passámos juntos, como se tivesse sido ontem...Revivi alguns momentos de carinho, loucura, disparate que vivemos quando erámos ainda uns "teenagers inconscientes", ou talvez não. Talvez me tenha recordado de ti por ter ouvido uma daquelas músicas que qual avião super sónico, nos transportam imediatamente para o lado de pessoas ou locais especiais, ou talvez sejam apenas os reflexos daquela altura do mês em que as mulheres ficam mais sensíveis e melancólicas, nem sei ao certo...
Já passaram quantos anos desde a ultima vez que nos encontrámos, 3, 4, 5, 6 anos? Perdemo-nos no tempo...como se hoje fossemos apenas uma fumaça de um fogo há muito extinto. E apesar do teu egoísmo, e acções por vezes menos correctas (és homem, e isso em voçês é tão normal como respirar), continuo a recordar-te (sim porque os homens conseguem ser uns cretinos, idiotas e machistas, mas nós mulheres gostamos deles na mesma). Grrrrrrr!!
Para terminar este pensamento fora de prazo, quero apenas acrescentar, parafraseando Mafalda Veiga: "É tudo tão fugaz e tão breve como os reflexos da Lua no rio...tudo aquilo que se agarra já fugiu..." .
Em certa altura, foste uma daquelas pessoas muito especiais, daquelas que deixam marcas e nos fazem crescer, ainda que através de caminhos que preferiamos não os conhecer...


20 junho 2006

Há dias assim...

...em que a saudade é tão forte e tão profunda que se transforma em lágrimas. Como eu queria ter uma daquelas máquinas como no "Regresso ao Futuro" que por artes mágicas e alguma ciência nos fazem retroceder no tempo, para te ver pelo menos mais uma vez e dizer que te adoro e que me fazes tanta falta como o ar que respiro. Dói tanto não estares mais entre nós, não poder sentir o teu cheiro, não poder ver o teu sorriso quando faço algum disparate...Estou cheia de saudades tuas querido avô Zé...

23 maio 2006

Fábula

O Burro com a pele de Leão

"Certo dia, um Burro encontrou uma pele de Leão que os caçadores tinham deixado a secar ao Sol.
- Vou cobrir-me com ela e assustar toda a gente – pensou ele.
Assim fez, e assustou todas as pessoas e todos os animais que encontrou. Muito orgulhoso do seu feito, zurrou muito alto, cheio de alegria.
Foi o seu erro, porque nesse momento todos perceberam pela sua voz que ele, afinal, era apenas um Burro.
O dono, que tinha apanhado um grande susto, resolveu castigá-lo e deu-lhe umas valentes pauladas."

Moral da história:
Não queiras parecer aquilo que não és.

Quem de nós não se recorda de ouvir esta e outras fábulas na nossa meninice de Jean de La Fontaine? Fizeram parte do meu, e do imaginário de tantos outros meninos pequeninos sequisosos por histórias e por fábulas...Depois, depois vem o mais complicado quando começamos a crescer...porque há os que interiorizam as fábulas e aprendem a moral da história deste cedo, e os que continuam a viver as outras histórias, as encantadas, como se nos passassem um atestado de estupidez devidamente assinado e carimbado! Mas...para esses últimos os "que parecem mas não são", os que "parecem uma coisa mas sao outra", os que "são como o feijão frade" (e ficamos por aqui porque há muitas mais expressões, mas para bom entendedor meia palavra basta), apenas tenho uma frase, que talvez (e reparem que eu disse talvez) os faça pensar, antes de nos atestarem de burros:

Mais vale um inteligente fazer-se de parvo, do que um parvo de inteligente! Digam lá agora quem é mais esperto, o Burro, ou o Dono, que descobriu o engodo?

22 maio 2006

Memórias

Fazia contas como ninguém e apesar de não saber ler nem escrever, vigiava atenta e preciosamente a neta, enquanto fazia os trabalhos de casa que trazia da escola primária.
Não lhe leu histórias encantadas, mas contava-as com um pouco de imaginação, sem nenhuma obrigação e muita sabedoria.
Ela pequenina e curiosa, adorava abrir o Atlas e deliciava-se a decorar o nome das estrelas e dos planetas, como se viajasse pelo cosmos cada vez que ensinava ao avô o que aprendera.
Ele, não lhe ensinou a compor verbos nem a fazer ditados, não teve oportunidade para estudar, mas ensinou-lhe algo muito mais valioso e que não se encontra nas páginas dos livros de histórias nem nos manuais da escola: ensinou-a a brincar, a sorrir e a rir, e a exprimir os seus sentimentos.
Demonstrou-lhe a pouco e pouco que se houver força de vontade, todos nós podemos construir o nosso castelo, tal como ele o fez.
Foi com o avô que ela aprendeu (e facilmente) a ser mimada e caprichosa, quando ele a ia buscar à escola para almoçar e todos os dias, sem excepção, lhe comprava um presente, apenas para a ver ainda mais contente e não que ela precisasse.
Foi com ele que a pequenina descobriu os cães, os gatos, os coelhos, as galinhas ( os dois últimos que hoje em dia se crê já nasceram dentro de embalagens plásticas nas prateleiras de supermercados e prontos para consumo).
Foi ainda com ele que percebeu que se podem chocar pintainhos sem as mães galinhas, sendo apenas necessário para isso um alguidar, um cobertor e um aquecedor dos antigos, e eles milagrosamente rachavam o ovo como se estivessem aconchegados pelas mães.
Por se ter sentado como menina reguila em cima da Vespa do avô e ter ficado presa entre a mota e o chão, aprendeu a não se meter com quem ou com o que fosse mais pesado que ela, e não repetiu a proeza.
Quando ela tinha 9 anos e a avó, esposa de seu avô, faleceu vítima de cancro, foi ele que lhe mostrou com a sua forte personalidade, que apesar de existirem momentos pesados, tristes e muito dolorosos, não podemos nunca deixar de sorrir, e que um carinho ou um gesto de amor não apaga a tristeza mas faz com que fique mais pequena e suportável.
Era ele com toda a paciência deste e de outro mundo lhe fazia todas as vontades de menina mimada, como se ela fosse uma princesa a quem era impensável contrariar.
Ele o avô Zé, inteligente, simples, terno, bondoso, com um enorme sentido de humor, brincalhão, paciente, sensato, amante da mousse de chocolate (que conseguiu transmitir para a sua neta), apaixonado incurável das coisas boas da vida e da sua “menina” para ele sempre pequenina que ao longo de 28 anos foi um amigo incansável e conseguiu mudar a vida desta menina e lhe tocou a alma.
E, tal como ela lhe iluminou os dias e os encheu de amor, fica a certeza e a promessa que também ele, irá para sempre permanecer na sua vida, ainda que agora apenas através de doces recordações e alegres fragmentos de uma outra existência…
Por todos estes motivos, e por muitos mais que não caberiam numa enciclopédia de 24 volumes, nem existem palavras que os consigam expressar correctamente…Obrigada avô!
Basta olhar para as estrelas para saber que estás perto de mim, e me fazeres sorrir como ao longo da tua vida tão bem o soubeste fazer…

18 maio 2006

Intemporal

"Faço e ninguém me responde
esta pergunta á toa,
como pode o peixe vivo
morrer dentro da Lagoa?"

Carlos Drummond de Andrade in "Amar se Aprende Amando"


Em memória do Avô Zé que com o mesmo amor que me viu chegar eu o vi recentemente partir...